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29 julho 2013

Como Você Pensa Em Relação À Comida?

A forma como cada pessoa pensa em relação à alimentação é bem variada, isso por que para cada indivíduo o “comer adequadamente” não está relacionado apenas com a manutenção da saúde, mas também envolve aspectos fisiológicos, emocionais e sociais.

Assim, não podemos e nem devemos ter uma definição rígida para o que é uma alimentação adequada sem contextualizar para quem, quando e onde. Na realidade, a alimentação possui um vínculo muito forte com a identidade de cada pessoa.

Vou citar como exemplo uma parte de um texto escrito por um adulto sobre a memória alimentar de sua infância (Lupton, 1994)..."Ele tinha 10 anos de idade. Seu pai era um fascista vegetal e sua mãe aprendeu a cozinhar na nojenta aula de culinária vegetariana. Ele odiava todos os vegetais e, principalmente ervilha. Nas refeições, parecia que tinham mil ervilhas no seu prato. Ele tentou escondê-las no bolso, mas a polícia vegetal (o pai) o pegou. Ele jogava as ervilhas debaixo da mesa, mas até o cachorro se recusava a comê-las. O pai dizia: ‘você não vai levantar da cadeira até ter comido todas as ervilhas’. O único jeito que ele conseguia comer as ervilhas era engolindo-as inteiras, com um copo d’água depois de cada uma, como se fosse um remédio".

O texto citado deixa claro como a comida está envolvida na formação da cultura do ser humano, não é mesmo? Provavelmente, o garoto que agora é um adulto, continua detestando ervilhas e pode até mesmo ter desenvolvido um certo trauma de vegetais.

Onde quero chegar?

Quero dizer que em nutrição não existe o que é certo ou errado em relação à alimentação, o que existe são alimentos que devem ser evitados por serem prejudiciais à saúde, porém mesmo devendo estes alimentos serem evitados, não devem ser, em hipótese alguma, proibidos.

Não há motivos para se forçar o consumo de um alimento que não agrade o paladar de uma pessoa.

Cada pessoa possui uma identidade cultural relacionada à alimentação, uma vez que a comida tem funções simbólicas tão importantes quanto as funções nutricionais.

Quem nunca comeu um alimento que tinha o hábito de comer quando era criança e que, naquele momento, sentiu como se tivesse voltado no tempo? Talvez, pelo simples fato de ter comido aquele alimento com “gosto de infância” se lembrou até mesmo de um local. Ex.: a casa dos avós ou dos pais.

A relação inicial afetiva com o alimento, uma vez aprendida, será levada por toda a vida. Entretanto, essa relação será todo o tempo recriada de acordo com a pessoa e com o seu meio. A família tem uma grande importância na manutenção dessa relação emocional com a comida.

Os almoços de domingo em família, por exemplo, têm um peso grande na constituição de uma pessoa, influenciando diretamente no paladar e no gosto de cada indivíduo.

Na família, aprendemos os valores que são carregados por toda a nossa vida. É na família também que desenvolvemos a nossa própria personalidade e, dessa forma, temos a possibilidade de conhecer e reconhecer outras pessoas e outros modos de viver iguais ou até diferentes dos nossos.

Viu só como cada um de nós traz consigo características muito individualizadas quando falamos em alimentação? Por isso não devemos julgar de forma alguma o comportamento alimentar de uma pessoa.

Agora falando em reeducação alimentar, é papel do nutricionista defender que as necessidades nutricionais devem ser atingidas juntamente com as necessidades culturais e simbólicas.

Um plano alimentar tem muito mais chances de dar certo e ser um sucesso quando respeitamos a individualidade de cada pessoa e incluímos alimentos que fazem parte de sua vida, de sua história, enfim, alimentos que fazem parte de sua rotina.

Mas é claro que como profissionais da saúde, também é nosso papel orientar sempre uma alimentação saudável, sugerir mudanças de hábitos quando necessário e também ensinar a fazer escolhas e substituições de alimentos.

Tenho certeza que depois dessa reflexão, será bem mais fácil para os leitores entenderem por que é tão difícil seguir uma dieta restritiva. Afinal, essas dietas não levam em conta a nossa identidade cultural  e nem o nosso lado humano.




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